sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

"Persuasão" - O poder de um conselho e as reviravoltas do destino














Persuasão
Autor: Jane Austen
Editora: L&PM
ISBN: 9788525422163
Ano: 2011
Páginas: 256



"O poder de um conselho e as reviravoltas do destino em Persuasão"

Com 19 anos e ouvindo o conselho de uma velha amiga sobre não aceitar o pedido de casamento do rapaz que ama. Não é assim que o livro começa e esse breve resumo pouco diz sobre a trama envolvente que se desenrola ao redor de Anne Elliot, a protagonista de Persuasão, romance que se inicia na Inglaterra no começo do século XIX.

Anne era filha do meio de Sir Walter Elliot e Lady Elizabeth Elliot. Após a morte da mãe, Anne foi totalmente ofuscada pela presença das irmãs. Elizabeth, segundo diziam, era de uma beleza absurda e muito herdara da personalidade do pai, e Mary, por se casar com Charles Musgrove adquiriu uma importância que não obtivera antes em sua própria família. Apesar do doce temperamento que seriam notados por qualquer um, a protagonista de Persuasão era inútil na visão do pai e da irmã mais velha, Elizabeth.

Lady Russel era vizinha dos Elliot, em Kellynch Hall, muito amiga da falecida Lady Elliot e chegada de Sir Walter. Era uma mulher muito centrada e madura, em idade e comportamento, sendo quase sempre conselheira dos Elliot em qualquer que fosse o assunto. Anne era tida por Lady Russel como sua afilhada preferida além de ser considerada uma amiga.

Após ser pedida em casamento por Frederick Wentworth, um jovem de classe inferior aos Elliot, sem berço e sem esperanças de enriquecimento, a protagonista se depara com a recusa e o desagrado do pai que acreditava ser tal união degradante para a imagem da moça e da família. Opinião fortemente apoiada por Lady Russel. Ouvindo os conselhos e reivindicações da amiga, por quem tinha um amor quase maternal, Anne desiste do casamento deixando o coração de Frederick, e o seu próprio, em pedaços.

Após quase oito anos do acontecimento, estando os Elliot em difícil situação financeira e tendo sua propriedade em Kellynch Hall arrendado para os Croft, Anne se depara com a informação que a Sra. Croft é irmã do capitão Wentworth, agora um oficial da Marinha de muito mérito e influência. A percepção de que um reencontro é inevitável faz com que seu coração volte a sentir a dor que sentira há tantos anos com a partida de seu amado.

Persuasão mostra o poder que um conselho (por mais bem intencionado que seja) tem de influenciar positiva ou negativamente o destino de quem se ama. Quando Lady Russel consegue convencer Anne Elliot de que um casamento com um mero rapaz sem um futuro promissor não lhe é aconselhado, muda toda a história da moça que durante anos sofre com a perda e com o sofrimento que foi causado à Frederick Wentworth.

Na trama, Jane Austen descreve a preferência do pai pela filha mais velha Elizabeth e o quanto as qualidades da pobre Anne eram desvalorizadas em sua própria casa. Jane Austen contrasta tal atitude dos Elliot com o tratamento recebido por ela na casa dos Musgrove (família do marido de sua irmã Mary) e a felicidade que a toma por isso, fazendo-a se sentir importante como nunca se sentira na presença do pai e irmãs.

A influência dos títulos e posses era, na Inglaterra no século XIX, de extrema relevância, e nos leva a uma reflexão sobre até que ponto as relações são afetadas por tais características e o quanto tais grandezas eram prezadas pelas famílias. Até quando se trata do casamento entre pessoas que se amavam, mais do que berço, a fortuna acumulada era um indício fundamental de que a relação iria funcionar.

O desinteresse mostrado pelo Capitão Wentworth em relação à Anne e os sentimentos ainda existentes nela, em relação a ele, são descritos pela autora de forma a envolver o leitor pela intensidade com que são relatados, mostrando o ressentimento e os arrependimentos que uma decisão pode acarretar.

As reviravoltas da vida tomam o centro de todo o enredo onde o esperado e o inesperado acontecem. Os sentimentos de Anne Elliot e Capitão Wentworth são o centro de uma narração tocante que nos leva a avaliar melhor as relações familiares, a influência que temos sobre a vida dos que amamos e os interesses por trás de cada ação.

A narrativa em terceira pessoa, mostrando não só a visão de Anne, como a visão parcial de outros personagens em alguns momentos da história, nos insere na aristocracia inglesa e nos conflitos vivenciados pelos personagens e nesse contexto de reflexão, sofrimento, arrependimento e na volta da alegria para a vida da protagonista.

A leveza, ousadia, ironia e graça utilizadas por Jane Austen fazem de Persuasão, concluído um ano antes de sua morte (em 1817), um excelente retrato da sociedade inglesa da época. Mesmo sendo passado num período de costumes tão distantes da nossa, traz como tema central uma reflexão que não sai de moda: a importância dos conselhos dados e que podem (feliz ou infelizmente) ser seguidos.

Um comentário:

  1. Um texto cheio de paixão assim transmite essa paixão em todos os seus detalhes. Se escrever todas as análises dessa maneira, vou ficar com vontade de ler todos os livros que você postar aqui hahaha

    Belo começo, Isa!

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