sexta-feira, 30 de março de 2012

"Jogos Vorazes" - Uma trilogia em chamas













Jogos Vorazes
Autor: Suzanne Collins
Editora: Rocco
ISBN: 9788579800245
Ano: 2010
Páginas: 400




"Uma trilogia em chamas"

Se o que você procura é drama, romance, ação ou entraves políticos talvez goste de Jogos Vorazes. Mas se você quiser tudo isso junto, prepare-se para embarcar em uma trilogia que pega fogo do começo ao fim. Quer um conselho? Não comece Jogos Vorazes se não estiver com Em Chamas e A Esperança em mãos! 


Panem, localizado no local que um dia foi a América do Norte, é um país originalmente composto por 13 Distritos e comandado pela Capital. Depois de viver os chamados “Tempos Escuros”, quando os distritos começaram uma rebelião e o Distrito 13 foi dizimado, a Capital criou os Jogos Vorazes, uma espécie de reality show onde 2 jovens (um menino e uma menina) de cada distrito são obrigados a lutar até que haja apenas um sobrevivente.

Nessa jornada acompanhamos Katniss Everdeen caçando e trocando mercadorias no Prego, com seu grande amigo Gale, vivendo no pobre Distrito 12 e sustentando sua mãe e sua irmã mais nova. Parece ser interessante, mas a primeira faísca vem mesmo quando o nome de sua irmã, Prim, é sorteado para ser um tributo dos temíveis Jogos Vorazes.

Katniss se candidata a participar no lugar de Prim e vê Peeta Mellark, o filho do padeiro, ser escolhido para ir ao campo de batalha junto com ela. Peeta é um garoto bondoso que, há muito tempo, ajudara Katniss dando um pão para que ela alimentasse sua família que passava por um período de extrema necessidade. Tamanha era a gratidão de Katniss por ele que mal conseguia pensar que, no final, somente um deles sobreviveria.

Ao longo da preparação para os Jogos, Katniss e Peeta ficam próximos, mesmo contra a vontade de Katniss que tinha consciência de que assim que entrassem na Arena, seriam adversários. Com uma equipe de preparação agitada, um mentor bêbado e um estilista atencioso, Katniss se vê como uma peça dos Jogos da Capital, algo impensável para Peeta.

Revelações importantes fazem de Peeta e Katniss os queridinhos do público e os força a assumir um papel dentro da Arena. Até que ponto eles conseguiriam manter as aparências era difícil de prever, mas as circunstâncias revelaram ser muito mais do que o esperado. Os perigos encontrados na Arena demonstram que a Capital quer ver sangue e só há um certeza: é matar ou morrer.

Não há como não se colocar na situação de Katniss ao ver o desespero, a garra e a coragem dela e dos outros tributos em busca da vitória. O instinto de sobrevivência fala mais alto, e nessas horas todos se perguntam “o que eu faria no seu lugar?”. O que fazer quando sua única chance de sobrevivência é a morte de seu rival? A situação que os tributos são obrigados a vivenciar, que os manipula e os exibe em rede nacional, é só uma demonstração da frieza da Capital. Picadas de teleguiadas (animais geneticamente modificados) que provocam alucinações parecem ser o menor dos problemas, mas infelizmente, descobrimos que os perigos são ainda maiores.

Ao mostrar a protagonista narrando sua história, a autora Suzanne Collins tem a capacidade de prender o leitor do início ao fim, e não só do primeiro livro. As sequências Em Chamas e A Esperança são igualmente empolgantes e envolventes, é impossível desgrudar os olhos dessas páginas.

A escrita em primeira pessoa nos permite entender (e não entender) o que se passa pela cabeça de Katniss nos momentos mais difíceis de sua trajetória. Seus sentimentos em relação à mãe, à irmã, e as confusões em relação ao amigo Gale e ao garoto do pão, Peeta, comovem e deixam o leitor com o coração na mão a cada capítulo.

A última parte de Jogos Vorazes remete ao segundo livro da série e é impossível começar a lê-lo sem ter os outros em mãos. É adrenalina e emoção do começo ao fim. O que parecia ser um romance e uma literatura juvenil se revelou uma grande obra literária para ficar marcada.

Estando muitas vezes em segundo plano no primeiro livro, o sistema político, a subordinação dos povos a um líder (a Capital) e as intenções por trás de cada ato do governo retratam um pouco do que vive, até hoje, a humanidade. A manipulação do povo, os próprios Jogos Vorazes remetendo à época do “Pão e Circo”, em Roma, e a soberania da Capital nos leva à reflexão e à indignação. Poderia um sistema de governo ser assim tão cruel a ponto de levar crianças para a morte? E quanto ao resto da população, que justiça há no fato de poucos terem muito, e muitos terem tão pouco? Há chances de uma população inferiorizada reverter a situação e implantar um novo governo?

Esteja ciente que depois dessa história, você nunca mais olhará o sistema político e os triângulos amorosos da mesma forma. Bem-vindo aos Jogos Vorazes, é aqui que a história pega fogo!

Ps. Se quiser presenciar isso de uma maneira ainda mais vívida, aproveite enquanto ele está em cartaz nos cinemas!

3 comentários:

  1. Olá, Isa!
    Já li o primeiro livro da trilogia e, como era de se esperar, amei! Também assisti o filme e embora tenha me decepcionado um pouco, também gostei bastante. Sério, preciso com urgência de "Em chamas" e "Esperança" e assim que tive-los em mãos e terminar de devorá-los te comunico o que achei, combinado?

    Com isso me despeço, com a promessa de voltar.
    E como há braços, abraços.
    Caleb Henrique
    (Colunista do Blog Livros e CMI - ela003.blogspot.com)

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  2. Ainda não me seduziu completamente, mas falando dessa parte política até deu mais vontade de ler!
    Tá muito boa de resenha, amiga. Mas, repito, quero aqui textos teus!
    beijo :)

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  3. Demorar mais de dois dias pra ler cada livro da série teria sido um desafio e tanto pra mim. Viciante demais. Teu texto tá uma delícia!

    P.S.: Seu blog tá lindo :)

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