Estávamos na praia e você estava jogando água em mim enquanto eu tentava ler um livro. Eu gosto de ficar quieta enquanto tomo sol, mas você tem a irritante mania de não deixar o silêncio continuar. Às vezes eu gosto do silêncio. Você parece nunca se dar bem com ele. Lembro claramente do dia em que tentávamos assistir a um filme infantil e você, mesmo muito interessado no filme, se levantava ou me cutucava em intervalos curtos de tempo. Era simplesmente insuportável.
Nos encontramos por acaso na praia e você resolveu sentar ao meu lado. Eu já estava com o meu livro na mão, mas resolvi dar um tempo dele pra poder saber sobre você. É claro que tive que ouvir milhões de piadinhas e uma série de exageros sobre quase todos os aspectos da sua vida. Eu não estava mais acostumada a tanta bobagem, muito menos de alguém que há muito eu não encontrava.
Você perguntou se podia continuar ao meu lado, só para o caso de não parecer “meio idiota” de estar sozinho sentado em um chinelo. Eu ri da possibilidade. Para mim, você sempre pareceria “meio idiota”. Concordei, com a condição de poder ler até o fim daquele capítulo, não faltavam mais que duas páginas. Pedi um pouco de paciência, mas se me lembro bem, paciência nunca foi uma de suas virtudes.
Você não parou de falar e eu fui obrigada a desistir. O romance que eu lia era ótimo, mas era impossível não me sentir tentada a jogá-lo longe para continuar nossa conversa. Com sua prepotência e senso de humor, disse que sabia que eu não resistiria ao seu encanto e eu tive que rir para não cair na bobeira de dizer que você tinha razão.
Depois de muita conversa jogada fora, lembranças dos velhos tempos e piadas babacas, um cara meio mal-encarado parou na nossa frente e começou a falar com você. “É ela?” ele perguntou, e eu te ouvi dizendo “Não, ela não é daqui.” Levantei os olhos e vi sua expressão, um misto de confusão e orgulho. Não estava acostumada a te ver confuso.
Seu amigo foi embora e você sentou ao meu lado novamente. Ficamos em silêncio por alguns minutos. Isso era bastante incomum, principalmente devido a sua inoportuna mania de falar o tempo todo. Eu olhei pra você e disse “Que lindo! De namorada nova?” A princípio você não respondeu, achei que não tivesse ouvido, então virei para o lado e abri meu livro de novo. Meu coração começou a bater forte, já estava desacostumada com essa aceleração repentina, fazia tempo que ele não agia assim. Você virou para mim e disse que não era uma namorada, pelo menos, ainda não era. “Nem sei se vai ser, de qualquer forma.” Continuei com os olhos no meu livro, não conseguia ler uma só palavra, só conseguia sentir meu coração batendo ainda mais forte. Você se levantou, me deu um sorriso torto e disse que precisava ir, me deu um beijo na testa e se foi. E meu coração continuou a bater como há muito tempo ele não batia.






nunca li um texto tão genuíno, tão sincero, tão forte, tão lindo, tão tocante...no mínimo e em síntese..é isabela haiek do começo ao ponto final.
ResponderExcluirConcordo com o comentário acima. Muito autêntico e forte, Isa. Textos sobre sentimentos são os mais gostosos e envolventes, se forem bem escritos. Esse é o primeiro teu que eu leio e, mesmo depois de levar um soco emocional no final desse, só me deixou com vontade de ler mais e mais. Então escreva mais, mais e mais, por favor.
ResponderExcluirUm like no comentário do amiguinho acima!
ResponderExcluirQuero continuar lendo! Escreve a continuação hahahaha s2
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