Houve uma época em que passávamos tempo demais juntos. Era uma saidinha aqui, um almoço ali. Eu tinha alguém na cabeça havia muito tempo, mas alguma coisa em você me incomodava. Não era a sua agitação, nem a mania de estar presente até quando não era convidado. Tinha algo a mais. Seu abraço apertado não era só um abraço apertado, mas não tinha porquê ser mais que isso.
Eu estava ocupada demais torcendo naquele jogo de futebol que a gente foi. Você estava lá, com um grupo de amigos que não era o seu, mas parecia se divertir. Tinha um ar despretensioso, alegre e despreocupado. Eu gostava disso, admirava sua forma de levar a vida. Nada parecia te abalar, estava sempre centrado em um objetivo que eu nunca entendi qual era. Parecia tão prudente e cheio de atitude que eu tinha certeza de que você seria capaz de conseguir qualquer coisa que quisesse. Mas, afinal, o que você queria?
Demorei pra perceber que algo me levava até você. Havia uma espécie de correnteza que sempre me puxava e me fazia estar ao seu lado. Mas eu era um poço sem fundo de confusão, ilusão e desilusão. Dificilmente enxergava um palmo a minha frente, e nunca consegui achar a parte de cima, pra escapar. E quanto mais eu tentava sair, mais ficava presa. Cheguei a ver sua mão tentando me puxar, mas não conseguia coordenar meus movimentos.
Você era tão indecifrável e transparente ao mesmo tempo, que eu cheguei a duvidar que te conhecesse de verdade. Mas descobri que aquele incômodo estava sempre presente quando você estava por perto. A presença de outras garotas me deixava apreensiva quando estava com você, mas não dava pra entender o motivo. Eu já tinha uma paixão, tinha alguém em quem pensar quando assistia um romance ou escutava alguma música melosa. Mas aquele ciúme que eu sentia das outras garotas ao seu lado estava me consumindo.
Você era engraçado, atencioso e simpático. Não tinha como não gostar de você. Deixei meus instintos tomarem conta de mim e a aproximação cresceu exponencialmente. Eu gostava dos seus olhos, e principalmente da maneira como eles entravam nos meus. Mas não era amor, e eu não me importei. Carência. Foi esse o nome que eu dei. Engraçado como temos a capacidade de esconder sentimentos, até de nós mesmas, sem nem ao menos perceber.
A confusão era tanta na minha mente que parei de corresponder às expectativas de quem quer que fosse. Achei que estivesse demonstrando um pouquinho minhas reais intenções, mas sua falta de resposta foi desestimulante. Você brincava demais e eu nunca sabia como interpretá-lo. Fiz de tudo para que você mordesse a isca, mas acho que a isca nem havia sido lançada.
Deixei passar. Deixei o tempo passar. Deixei a vida passar. Deixei você passar. Só queria que nos encontrássemos num lugar só nosso. Deixar o sentimento fluir como nos velhos tempos. Saber que você nunca percebeu a verdade me incomodou. Sempre me achei transparente demais, alguém que não consegue esconder o que sente. Desculpa por ter sido tão obtusa, mas a gente ainda pode fazer isso mudar.






<3 Textos sentimentais da Isa <3
ResponderExcluirSempre gostosos de ler.